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Taxa de desemprego fica abaixo de 10% no Brasil, menor nível desde 2015

Taxa de desemprego fica abaixo de 10% no Brasil, menor nível desde 2015

No trimestre até maio, o indicador recuou para 9,8%. É o menor nível para o intervalo desde 2015.

  Por redação

  01.julho.2022 às 13:47

A taxa de desemprego voltou a ficar abaixo de 10% no Brasil, indicou nesta quinta-feira (30) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No trimestre até maio, o indicador recuou para 9,8%. É o menor nível para o intervalo desde 2015. À época, a economia nacional amargava recessão, e a taxa estava em 8,3%. Na série comparável do IBGE, o indicador não ficava abaixo de 10% desde o fim de 2015. A taxa estava em 9,1% no trimestre até novembro daquele ano.

O novo resultado veio abaixo das estimativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam 10,2% na mediana. O indicador estava em 11,2% nos três meses anteriores (dezembro a fevereiro).

O número de desempregados, por sua vez, recuou para 10,6 milhões até maio. O contingente estava em cerca de 12 milhões nos três meses anteriores. Ou seja, 1,4 milhão de pessoas saíram do grupo.

Conforme o IBGE, o número de desocupados chegou a bater em 15,2 milhões no trimestre até maio de 2021, sob efeito da crise gerada pela pandemia.

Pelas estatísticas oficiais, a população desempregada reúne quem está sem trabalho e segue à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse cálculo.

POPULAÇÃO OCUPADA BATE RECORDE

No trimestre até maio, o número de pessoas ocupadas com algum tipo de trabalho chegou a 97,5 milhões.

É o maior patamar da série histórica, iniciada em 2012. Houve acréscimo de 2,3 milhões de pessoas frente a fevereiro (95,2 milhões), o que ajuda a explicar a redução do desemprego.

De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, o avanço da ocupação pode ser associado ao processo de reabertura de atividades econômicas após a chegada da pandemia.

A pesquisadora citou como exemplo a "recuperação mais tardia" dos serviços presenciais, atingidos em cheio pela crise sanitária.

Sinal disso é o crescimento da população ocupada no setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, destaque no trimestre mais recente.

Houve aumento de 466 mil ocupados nesse segmento. O movimento foi impulsionado por educação, com o retorno das aulas presenciais, indicou o IBGE.

"Foi um crescimento expressivo e não isolado da população ocupada. Trata-se de um processo de recuperação das perdas que ocorreram em 2020, com gradativa recuperação ao longo de 2021", disse Beringuy.

"No início de 2022, houve uma certa estabilidade da população ocupada, que retoma agora sua expansão em diversas atividades econômicas", completou.

O economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, concorda com essa avaliação, mas também cita outras questões por trás da trégua do desemprego.

Uma delas é a adoção de medidas "artificiais" de curto prazo, por parte do governo Jair Bolsonaro (PL), para tentar conter a inflação e estimular a atividade econômica e o mercado de trabalho às vésperas das eleições.

Nesse sentido, Imaizumi lembra que o Palácio do Planalto ainda busca avançar na redução de impostos sobre os combustíveis, o que até pode incentivar a economia e o emprego neste ano, mas tende a resultar em uma "bomba fiscal" a partir de 2023.

O analista acrescenta que o Brasil ainda registra um grande contingente de pessoas que não estão procurando trabalho e, consequentemente, não entram nos cálculos de desemprego.

No trimestre até maio, o país tinha 64,8 milhões fora da força de trabalho. A marca representa cerca de 2,8 milhões a mais do que no intervalo até fevereiro de 2020 (62 milhões), antes da pandemia.

Dentro desse grupo, havia 4,3 milhões de desalentados até maio. A definição é usada pelo IBGE para descrever a parcela que desistiu de buscar emprego por pensar que não encontraria oportunidades. No trimestre anterior, o número de desalentados era maior (4,7 milhões).

"Muitas pessoas ainda não retornaram ao mercado de trabalho", diz Imaizumi.


Fonte: Noticias ao minuto

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